domingo, 6 de abril de 2008

PEQUIM: A INTERNET DURANTE OS JOGOS


O presidente da Comissão de Coordenação do Comitê Olimpico Internacional (COI) para os Jogos de Pequim, Hein Verbruggen, afirmou que a internet funcionará totalmente sem censura durante as competições olímpicas e as redes de TV vão poder transmitir ao vivo da Praça da Paz Celestial, sem os atrasos de cerca de oito segundos típicos das transmissões da TV chinesa, os chamados delays.
Os jornais estatais chineses chegaram a divulgar que as transmissões na Praça da Paz Celestial, palco do massacre de cerca de dois mil estudantes que pediam mais democracia em 1989, seriam probidas, mas o COI negou a possibilidade. A notícia foi confirmada pelo vice-presidente executivo e secretário-geral do Comitê Organizador dos Jogos Olmpicos de Pequim (BOCOG, da sigla em inglês), Wang Wei.
Verbruggen, no entanto, não quis precisar exatamente quando a internet chinesa — hoje fortemente censurada com a ajuda de programas sofisticados de computador e um exército estimado de 30 mil censores — vai funcionar 100% liberada, mas o presidente do Cimitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, afirmou que a partir da chegada dos atletas, uma semana antes da abertura oficial, em 8 de
agosto, a rede já deve estar livre.
— O COI nunca teve a menor dúvida de que a rede precisa funcionar livremente para facilitar o trabalho da imprensa e a comunicação dos atletas. O mesmo se diz das transmissões de TV, que compraram os direitos — disse Nuzman. — Não é uma promessa. É um compromisso da China fixado na escolha de Pequim como cidade-sede.
Com exceção deste compromisso, no entanto, o COI não teve palavras de apoio a ativistas, ONGs e governos estrangeiros incomodados com o tratamento que a China vem dando aos protestos de minorias étnicas no Tibete e Xinjiang ou ao tratamento dos dissidentes no país. Verbruggen deixou claro ontem que o COI não pretende, em nenhum momento, pressionar a China sobre a crise no Tibete ou qualquer violação de direitos humanos, assuntos considerados pela instituição "política interna da China" — ainda que o governo chinês tenha se comprometido a melhorar o respeito aos direitos humanos quando se candidatou a sediar os Jogos Olímpicos em 2001.
— Os jogos estão sendo arrastados para temas que não dizem respeito a esportes ou ao bom andamento das competições — disse ele, referindo-se aos conflitos no Tibete. — Nós não podemos confundir esporte com política, não é esse o nosso trabalho aqui e o COI nunca se meteu com a política de país nenhum, o que não vai ocorrer com a China.
Verbruggen usou de ironia com os governantes que estão neste momento pensando na possibilidade de boicotar a cerimônia de abertura dos jogos:
— Muitos políticos que agora estão tentando ligar os Jogos Olímpicos a questões de direitos humanos ou a temas políticos são os mesmos que vêm à China negociar programas de ontercâmbio econômicos ou de negócios. Eu não ouvi até agora nenhum atleta dizer que vai boicotar os jogos, porque quando você boicota os jogos, você penaliza o atleta, não o governo — disse Verbruggen. — Deixemos para os atletas decidir se eles querem ou não vir às Olimpíadas.
Ele afirmou ainda que o COI não pode fazer exigências políticas a países que têm cidades-sede.
— Não faria sentido, agora, dizer para a Espanha que Madri só pode ser sede se eles recolverem a questão do País Basco. Ou que Chicago só pode entrar no jogo se os EUA acabarem com Guantánamo. Ou que Baku, no Azerbaijão, só terá o direito de concorrer quando resolvida a questão da Armênia.
Wang Wei, do BOCG, afirmou que a China vem sendo contida no episódio de repressão aos protestos no Tibete e que os distúrbios são causados pelo Dalai Lama. Wang voltou a acusar a imprensa estrangeira e alguns governos de "enganarem" o público com informações falsas sem explicar, no entanto, o que a mídia e os governo ganham com isso.

NOTA DO EDITOR - Esta informação chega bem, pois o nosso próprio BLOG havia colocado uma matéria de que o Governo iria proibir imagens da Praça Celestial da PAZ, mas segundo o BLOG do Gilberto Scofield - correspondente da Globo em PEQUIM - estará liberado e não poderia ser diferente, pois o evento é para o mundo. E se a CHINA está em tempo de abertura, a oportunidade está aí para quase três bilhões de telespectadores e claro mais os nossos leitores deste BLOG , ouvintes da IMEMBUI e UNIVERSIDAE, leitores de A CIDADE e SAUDE PELA PRÁTICA.


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