terça-feira, 13 de maio de 2008

TERREMOTO NA CHINA

Nosso espaço traz um comentário do Blog de Janaína Silveira, do ClickRBS, correspondente de Pequim. É a palavra de quem está vivenciando a tragédia.

A dimensão de uma tragedia

A chuva que cai na região de Sichuan, província a sudoeste da China onde se localiza a vila de Wenchuan, epicentro do terremoto no país, retarda os trabalhos de resgate das vítimas e pode esconder a dimensão de uma tragédia ainda maior - se é que números podem transformar em maior ou menor a dor causada por vidas que vão cedo demais, por vidas que precisam ser refeitas. Enquanto os dados sobre o número de mortos são incertos - e só crescem até agora -, o país se divide entre o clima de comoção e o sentimento de que é preciso continuar.
Cheguei no final da noite a Chongqing, cidade a menos de 300 quilômetros de Chengdu, capital de Sichuan. Na capital, aeroporto fechado. Por aqui, onde 50 pessoas morreram, o clima é de aparente normalidade. Na madrugada desta terça-feira, muita gente ficou na rua, com medo de dormir nos arranha-céus da cidade. Hoje, o medo deu lugar a retomada das tarefas cotidianas, ao que se percebe.
Nas ruas, ao perguntar para taxistas, garçonetes, atendentes, o que mais se ouve dizer é que eles sabem, sim, do terremoto. E ponto. Apenas no aeroporto duas agentes de turismo admitiram que a terra tremeu por dois minutos na tarde de segunda-feira.
Não há informações sobre brasileiros feridos pelo terremoto. O presidente Lula enviou uma mensagem de condolências à China, reproduzida há pouco pelo canal estatal de televisão, CCTV. Diversos governantes seguiram o mesmo caminho, e o governo chinês já fala em aceitar ajuda internacional. Indicativo de que os números podem ser ainda mais sombrios.

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