quarta-feira, 26 de outubro de 2011

AGORA É QUENTE CAI O MINISTRO ORLANDO

COLUNA DO J CRUZ CONFIRMA

Vem aí o terceiro ministro do Esporte. Quem?
UM DOS MAIS COMPETENTES JORNALISTAS ESPORTIVOS DO BRASIL, que conhece a POLÍTICA ESPORTIVA e desmando do país, escreve. Vale a pena ler.

Orlando Silva caiu. Ele enfrentou a crise sem apoio da comunidade esportiva

Houve quem esperneasse quando o PcdoB ganhou o Ministério do Esporte, no primeiro mandato do governo Lula da Silva, em 2003. A então deputada comunista,Vanessa Grazziotin, agora senadora pelo Amazonas, afirmou que “esporte é uma coisa menor para o tamanho do PCdoB”.

Mal sabia a parlamentar que, anos depois, o partido estaria envolvido com a preparação dos dois maiores megaeventos do esporte mundial, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, e às voltas com orçamentos e projetos espetaculares. Mas, também, mergulhado numa crise partidária e governamental que levou a presidente Dilma Rousseff a continuar a faxina na Esplanada dos Minitérios: Orlando Silva é o quinto ministro demitido por acusaões graves de corrupção. E o primeiro da equipe a ser investigado pelo STF.

Missão

Até hoje, nove anos de governo do PT, ainda não se sabe a que veio o Ministério do Esporte. Tornou-se eficiente repassador de verbas, mas sem objetivos definidos e sem uma proposta de trabalho integrado entre os beneficiados. Nada disso. E o Conselho Nacional de Esporte, o principal órgão de apoio ao gabinete ministerial, tornou-se um agrupamento de concordância aos atos do ministro, em vez de ser o espaço de discussão de políticas para o setor.

O governo Lula da Silva foi farto na distribuição de dinheiro para o esporte, através da Lei de Incentivo, Bolsa Atleta, Timemania, patrocínio das estatais – BB, Caixa, ECT, Petrobras, Infraero, Casa da Moeda, Eletrobras e BNDES. Politicamente, foram três edições da Conferência Nacional do Esporte. Porém, com decisões ignoradas pela cúpúla ministerial.

Dando apoio a essa estrutura de governo, o Brasil esportivo tem todas as suas instituições funcionando: comitês, confederações, federações, clubes. E todas elas contempladas com verbas públicas. Na Câmara e no Senado, comissões específicas e uma Frente Parlamentar do Esporte ajudam a aprovar robustos orçamentos anuais para o Esport. Porém, de fraquíssimas execuções. Em 2010, por exemplo, o Ministério do Esporte gastou apenas 39% do R$1,8 bilhão disponível.

E isso ocorre porque falta-nos o fundamental: metas, prioridades e planejamento. Não temos isso. Nunca tivemos. O Ministério tornou-se, antes, um abrigo de correligionários desocupados e inexperientes, em detrimento do concurso de técnicos para fortalecer o setor e dar rumo ao esporte nacional. E muitos desses amigos da casa aproveitaram seus cargos como trampolins eleitorais, apoiados por projetos sociais para promoções em suas regiões de interesse. Na prática, o PcdoB comporta-se como os demais partidos da base aliada, em que o PMDB, é o mestre-salas na ocuapação de espaços ministeriais e autárquicos, para projetar seus correligionários e fortalecer a sigla.

O início

Agnelo Queiroz foi o primeiro ministro da pasta. Assumiu prestigiadíssimo. Afinal, como deputado federal, fora o autor formal – porque o autor intelectual fora outro – da Lei 10.264/2001, que destina 2% das loterias federais para o esporte, conhecida por “Lei Agnelo Piva”. E dinheiro, sabe-se bem, aproximam a todos, enquanto “amigos” ...

Porém, Agnelo foi um fracasso. Enredou-se com benefícios do COB, no Pan de Santo Domingo, e ainda está envolvido num proceso de liberação de R$ 25 milhões, desde os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Com Agnelo, assumiu Orlando Silva, um ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que tinha duas missões: aproximar-se do gabinete ministerial, que consguiu, ao se tornar Secretário Executivo, até chegar ao posto máximo, e se livrar dos “companheiros” petistas. A longo prazo, fez isso.

Apresentado como “o maior programa social do mundo”, o Segundo Tempo foi criado por Agnelo. Era a cópia de um projeto chamado “Esporte na Escola”, no governo Sarney. Porém, o Segundo Tempo tornou-se o ponto da discórdia e motivo principal da demissão do ministro Orlando Silva. Em 2005 surgiram as primeiras denúncias. A partir daí, vieram mais falcatruas.

Foi assim que o então assessor Júlio Filgueiras apresentou o policial João Dias a Agnelo. Tornaram-se amigo e Dias foi contemplado com cerca de R$ 3,5 milhões para projetos do Segundo Tempo. O resultado dessa parceria é uma investigação policial e foco da demissão de Orlando. Em decorrência, Agnelo está na linha de tiro, suspeito de ter recebido propinas.

Toda essa crise ocorre num momento de ampla exposição do país na mídia internacional. É péssimo, mas fica claro que a presidente Dilma está disposta a combater a corrupção governamental, herdada de anos e anos de república. E é muito bom ver tanta determinação.

Finalmente:

Orlando Silva caiu. Nem tanto pela denúncia vazia, até aqui, de um policial. Mais pela fragilidade de seu gabinete, formada por inexperientes da UNE, acusados de irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral.

Talvez por isso, Orlando tenha enfrentado uma semana de tiroteio sem receber apoio da comunidade esportiva: Comitês Olímpico e Paraolípico, confederações, federações, técnicos, atletas. Nada! Ontem, foi a vez dos parlamentares da base aliada abandonarem Orlando Silva. Seu debate sobre a Lei Geral da Copa, na Câmara, foi um desastre. Torpedeado pela oposição e frágil na defesa, ele já apresentava o perfil de que estava no fim.

E quem será o terceiro ministro do Esporte? Acredito que Aldo Rebelo. É nome respeitadíssimo no PcdoB e de confiança da presidente. Tem diálogo com a oposição e poderá representar o governo no entendimento com a comunidade internacional, diante dos compromissos que Copa e Olimpíada exigem.

Porém, independentemente do nome que for indicado para o ministério, será preciso uma ação enorme para limpar a máquina, infiltrada por interesses particulares e danosos ao bem público.


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