domingo, 11 de dezembro de 2016

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Confederação de Handebol desmente Morten e diz que queria renovar contrato

Do UOL, em São Paulo

  • Franck Fife/AFP Photo
A Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) emitiu uma nota oficial desmentindo o técnico Morten Soubak sobre sua sequência no comando da seleção brasileira feminina. Em entrevista ao UOL Esporte, ele afirmou que não foi procurado para renovar o seu contrato para o próximo ano e que por conta disso havia tomado a decisão de sair.
A CBHb diz que tinha o interesse de seguir com o dinamarquês no cargo. Morten estava na seleção desde 2009, tendo conquistado o Campeonato Mundial de 2013, na Sérvia.
"Diferentemente do que o técnico da Seleção Brasileira Feminina Adulta de Handebol, Morten Soubak, tem declarado à imprensa, de que não foi procurado para falar sobre a permanência à frente da equipe, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) informa que conversou sobre o assunto com o treinador em mais de uma oportunidade", diz trecho da nota.
"A CBHb lamenta muito em saber pela imprensa, mesmo após as reuniões, sobre a insatisfação de Morten. A entidade ficou surpresa com o anúncio feito pelo treinador, por quem tem muita admiração, gratidão e respeito. Com o anúncio feito em rede nacional, a CBHb entende que a decisão dele já foi tomada", completa a nota.
Morten deixou o comando do Brasil no último sábado, após conquistar o título de um torneio amistoso no Pará, que contou com a participação de Uruguai, Eslováquia e Cuba.
Confira a nota completa:
Antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Morten foi convidado para uma reunião na sede da CBHb, em Aracaju (SE), onde se iniciou uma conversa sobre a continuidade do treinador, inclusive com acréscimo de valores no salário do mesmo, a pedido do próprio Morten. Após a Rio 2016, a CBHb convidou Morten novamente para discutir a permanência, já que o contrato em vigência havia sido encerrado em 31 de agosto de 2016. A CBHb fez uma proposta para prorrogar o contrato em vigência com os mesmos valores até 31 de dezembro de 2016. Logo depois desta data, seria renegociada a permanência de Morten.
Ainda em setembro, a CBHb enviou uma carta de agradecimento a todos os integrantes das comissões técnicas das Seleções Masculina e Feminina Adultas, que ressaltava a importância de cada um deles no trabalho desenvolvido com as Seleções durante o ciclo olímpico. A carta informava que ainda não existia definição em relação ao financiamento dos projetos, mas que com os mesmos revisados e prontos seria feita a apresentação do planejamento. A entidade se colocou ainda à disposição para diálogo e qualquer esclarecimento necessário.
Em outra reunião, realizada no dia 30 de novembro de 2016 durante o II Torneio Quatro Nações Feminino, em Belém (PA), o presidente Manoel Luiz afirmou novamente a Morten e a toda comissão técnica que voltaria a conversar com todos quando os recursos fossem definidos, logo no início de 2017.

UOL INFORMA IRREGULARIDADES NAS VERBAS LIBERADAS NA RIO 2016


TCU vê irregularidades graves em 61% da verba pública para esporte olímpico

Aiuri Rebello e Guilherme Costa
Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ivo Almeida/UOL
    Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do comitê organizador da Rio-16
    Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do comitê organizador da Rio-16
O TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou irregularidades em pelo menos 61% das verbas públicas destinadas ao esporte brasileiro nos últimos três anos, em todos os níveis. Em relatório publicado na última quarta-feira (07), o órgão apontou uma série de problemas em repasses de Lei Agnelo/Piva e Lei Pelé feitos pelo governo federal a COB (Comitê Olímpico do Brasil), CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), CBC (Confederação Brasileira de Clubes) e dez confederações escolhidas por amostragem. Segundo o texto, de um total de R$ 337 milhões, pelo menos R$ 207 milhões são passíveis de devolução à União.
A lista de problemas que fizeram o TCU questionar os repasses vai desde licitação para contratar serviços até a prestação de contas. Entre todas as entidades analisadas, apenas a CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais) não apresentou problemas em seus balanços.

Conta única dificulta fiscalização

Um dos principais problemas constatados pelo TCU é o sistema de transferência de dinheiro do COB às confederações. O comitê usa a mesma conta para depósitos, pagamento de técnicos e dirigentes, compra de suprimentos e custeio de organização de eventos, por exemplo. A avaliação do tribunal é que esse expediente dificulta a fiscalização.
Em algumas confederações, foram compradas passagens aéreas de até R$ 25.000 em classe executiva para dirigentes e pessoas alheias à entidade, enquanto o resto da delegação e os atletas voavam na classe econômica. Em outras, usaram dinheiro público para comprar bebidas alcoólicas.

Relação com agências de viagens é um dos pontos mais suspeitos

O TCU chama atenção para a relação promíscua de COB, CPB e confederações esportivas com agências de viagem responsáveis por comprar passagens áreas e pagar hotéis em viagens de atletas e delegações.
A lista de problemas identificados pelo órgão de controle nessa seara inclui falta de comprovação e recibos sobre serviços cobrados das entidades esportivas, valores acima da média de mercado e contratação da mesma agência por diversas confederações.

Vício e direcionamento de licitações foram constatados

Outra questão apontada pelo TCU abarca vícios, direcionamentos e fraudes em licitações. Em uma das confederações esportivas (o relatório não especifica qual delas), a mesma empresa ganhou 37 de 42 processos licitatórios, o que é incomum.
Em outra, a mesma empresa é contratada desde 2009. Segundo o relatório, a maioria dos procedimentos analisados não tinha sido publicada fora dos sites das entidades em questão, o que praticamente inviabilizava a participação de empresas que não soubessem do certame previamente.
Muitas vezes, as entidades não faziam a cotação com o mínimo de três empresas diferentes nas contratações que não exigiam licitação. Das dez confederações analisadas, em cinco foram encontrados indícios de fraudes em licitações.

Salários até 400% acima do permitido em lei

Em algumas entidades fiscalizadas, o salário mensal de técnicos, funcionários ou dirigentes chega a 400% do valor permitido em lei para estes cargos, que é de cerca de R$ 25 mil. Há registros de técnicos com salários de R$ 118 mil, empregados que ganharam R$ 45 mil e um dirigente com vencimentos de R$ 31 mil mensais.
Por fim, o TCU acusa o COB de "gestão temerária" de recursos e solicita uma série de aperfeiçoamentos nos mecanismos de transferência e controle do dinheiro. Além de COB, CPB e CBC, foram fiscalizadas na ação as confederações brasileiras de atletismo (CBAT), basquete (CBB), ciclismo (CBC), desportos aquáticos (CBDA), desportos de deficientes visuais (CBDV), ginástica (CBG), hipismo (CBH), judô (CBJ), rúgbi (CBRU) e vôlei (CBV).
Os relatórios com detalhes sobre as confederações são sigilosos. As entidades possuem agora 90 dias para apresentar justificativas e defesa antes de o TCU determinar se pede os recursos de volta ou não. O resultado da fiscalização é assinado pelo ministro Vital do Rêgo, que é investigado por corrupção na operação Lava-Jato, conforme revelou nesta quarta-feira (07) o UOL Esporte.

Lei Agnelo/Piva em 2016 destinou R$ 131 milhões a confederações em 2016

Sancionada em 2001, a lei nº 10.264, conhecida como Lei Agnelo/Piva, é hoje uma das principais bases do orçamento do esporte olímpico no Brasil. O dispositivo prevê destinação de 2% da arrecadação bruta de loterias federais em operação para COB (85%) e CPB (15%). A CBC foi incluída como beneficiária em 2011, com fatia correspondente a 0,5%.
Por lei, 10% do dinheiro oriundo da Lei Agnelo/Piva deve ser destinado ao esporte escolar. O esporte universitário deve ficar com 5%. Neste ano, a previsão foi de uma arrecadação total de R$ 220 milhões, com R$ 131 milhões enviados às confederações. O COB ainda reservou R$ 56 milhões para a missão brasileira nos Jogos Rio-2016.