segunda-feira, 9 de outubro de 2017

NOSSO SITE E A CORRUPÇÃO NA RIO 2016


Analistas pedem novo paradigma na escolha de sedes olímpicas

Corrupção na candidatura do Rio expõe falhas do sistema atual

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Faraônico. Entre Paes, Cabral, Lula e Orlando Silva, Nuzman comemora vitória, manchada por denúncia de corrupção - PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP
       Acusações de compra de votos na candidatura da Rio-2016 colocam em xeque o método de escolha das sedes de Jogos Olímpicos. A avaliação é de Lamartine da Costa, membro da Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos (ISOH), e Alberto Murray, que foi membro da Assembleia Geral do COB entre 1996 e 2008. Pesquisadores da trajetória dos Jogos, Costa e Murray divergem sobre o peso da família Diack na votação após, segundo investigação do Ministério Público Federal (MPF), ter recebido propina da candidatura do Rio. Ambos, porém, apontam a necessidade de reformular o modelo.

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Neto de Sylvio de Magalhães Padilha, ex-atleta que presidiu o COB por quase três décadas, entre 1963 e 1990, Murray lembra que o sistema passou por transformações no início desde século. Mas considera que o formato atual “faliu”:
— Talvez seja a hora de tirar a escolha unicamente das mãos de membros do COI e pulverizar o colégio eleitoral. A realização dos Jogos Olímpicos não pode ficar sob responsabilidade de apenas cem pessoas.
Antes do Rio, Lamartine da Costa aponta um marco na corrupção envolvendo escolhas de sedes: a propina na candidatura de Salt Lake City (EUA) aos Jogos de Inverno de 2002. O escândalo, que levou à expulsão de 10 membros do COI, mostrou que a votação era vulnerável a práticas ilícitas em larga escala.


VEJA: Fotos exclusivas de reunião em Paris têm Cabral com Gryner e Nuzman na 'festa dos guardanapos'— Na época, o (então presidente do COI, Juan Antonio) Samaranch convidou pessoas graúdas para estudar o sistema e evitar que aquilo se repetisse. Uma delas era Carlos Arthur Nuzman. Ou seja, ele criou condições das quais não pode reclamar — observa Costa, que também é professor da UERJ.
Nuzman se afasta do COB
A introdução da “Agenda 2020”, documento com recomendações para tornar os Jogos Olímpicos mais baratos a partir de Tóquio, é citada por Lamartine como uma mudança de paradigma importante na luta contra a corrupção. O pesquisador lamenta que o Brasil tenha mantido o modelo faraônico nos Jogos de 2016 — a agenda foi lançada pelo COI há três anos, na reta final da construção de arenas para a Olimpíada do Rio.
— O sistema já está mudando, se aperfeiçoando, por conta da Agenda 2020. Nuzman ainda adotou a linha dos Jogos “monumentais”. A corrupção é criativa. As relações de “ganha-ganha” descritas pelo MPF ficarão mais difíceis — aposta o professor.
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Embora reconheça que a votação do Rio tenha sido exposta a práticas ilícitas, Lamartine vê com cautela a acusação de que a propina paga ao senegalês Lamine Diack tenha convertido outros votos no continente africano:
— Houve defeitos ao longo do processo, mas é muito difícil uma corrupção com este alcance.


Murray, por sua vez, diz que a influência de Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), não pode ser desprezada. Tampouco a possibilidade de outros envolvidos no esquema, uma das linhas de investigação seguidas pelos procuradores brasileiros:
— Há pessoas que controlam votos de seus continentes, e até de outros, seja por terem prestígio ou pelo dinheiro. Quem estava no atletismo sempre soube que o Diack era pilantra. Mas acredito que a candidatura do Brasil também agiu em outras frentes, sem intermédio dele.
Suspeito de ter intermediado compra de votos para 2016, Nuzman pediu, ontem, afastamento do COB. O dirigente está preso temporariamente, desde quinta-feira, em Benfica. Vice-presidente do COB, Paulo Wanderley convocou uma assembleia extraordinária para quarta-feira, na qual será discutida a situação da entidade. Nuzman pode renunciar ao cargo.

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