sábado, 21 de abril de 2018

Expresso O que faz do cheerleading um esporte quase olímpico Matheus Moreira 17 Jan 2017 (atualizado 17/Jan 18h50) Animadoras de torcida agora são reconhecidas pelo Comitê Olímpico Internacional. E podem, no futuro, até entrar para os Jogos Foto: Nottingham Trent University /Flickr/Creative Commons Cinco cheerleaders são levantadas por outras e fazem pose durante apresentação. O esporte reúne ginástica, dança e acrobacias em uma composição coreográfica de duração média de três minutos O cheerleading — nome em inglês para a prática de animar torcida — deu um passo na direção de se tornar um esporte olímpico. O conselho executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) reconheceu em dezembro de 2016 a Federação Internacional de Cheerleading. Desta forma, a prática passará a ser incentivada pela Associação de Federações Internacionais — e, na prática, será promovida internacionalmente. O reconhecimento pelo comitê é também um passo necessário para a oficialização da categoria como esporte olímpico. As primeiras menções a torcidas “cheer” surgiu no Reino Unido, no século 19. Entretanto, a primeira referência da prática do esporte aponta que foi em 1822 que estudantes — homens — da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, torceram pela primeira vez neste formato. O cheerleading vai além dos gritos de guerra e pompons. Ele requer um intenso preparo físico e muito treinamento, é o que explica Ana Paula Pereira de Amorin, de Belo Horizonte, que integra a União Brasileira de Cheerleaders, em entrevista para o Nexo. Os elementos do cheerleading Ginástica Segundo Ana Paula Pereira de Amorin, o cheerleading é 50% rotina coreográfica, ou seja, metade do esforço é destinado à ginástica rítmica. Os atletas (cheerleaders) fazem um grande esforço físico a cada coreografia e apresentação. Para a “Vice Sports”, a jornalista Charlie Brinkhurst-Cuff, que foi cheerleader, explicou que o esporte é muito mais difícil do que aparenta e que são necessárias “horas intensas de prática para uma composição de três minutos”. Acrobacias O esporte tem manobras com um alto grau de dificuldade, que requerem treino e preparo físico. Brinkhurst-Cuff aponta que, devido às acrobacias e à ginástica, muitas cheerleaders sofrem com fraturas e algumas chegam a perder movimentos. Ela cita um estudo, publicado em 2013, que coloca o cheerleading no primeiro lugar como esporte mais perigoso para mulheres nos Estados Unidos. Segundo o estudo, 66% dos casos de ferimentos graves (que causam danos permanentes, como a paralisia, ou levam a tratamentos prolongados) durante a prática de qualquer esporte por mulheres nos EUA acontecem no cheerleading. Uma das razões para isso é que o esporte utiliza técnicas próprias na formação de “pirâmides”, segundo Amorin. Dança Além da ginástica e das acrobacias, cheerleading envolve dança. Em três minutos de apresentação, em média, o esporte incorpora elementos rítmicos entre as acrobacias. A dança é um facilitador para a atuação das atletas, auxiliando na flexibilidade e controle corporal. Amorin ressalta que, muitas vezes, o esporte é confundido com uma modalidade de dança — quando, na verdade, a dança aparece em cerca de “20% da coreografia, normalmente no final, em rotina competitiva”. Novos esportes olímpicos Com a decisão do COI, o cheerleading e o muay thai — cuja organização também foi validada — se tornam as 37ª e 38ª modalidades reconhecidas internacionalmente. Isso não significa que elas serão disputadas nos Jogos Olímpicos, mas que estão mais próximas disso, já que esse reconhecimento é necessário para as Olimpíadas. Hoje há 33 modalidades nas Olimpíadas. Para que um esporte seja incluído nos Jogos, ele deve ser praticado por homens em pelo menos 75 países, em quatro continentes, e por mulheres em 40 países, em três continentes. O cheerleading já atende a algums dos critérios necessários, mas ainda precisa passar por outras etapas antes de virar um esporte olímpico. Um dos caminhos é o país-sede dos Jogos pedir a inclusão de novas modalidades. Em agosto de 2016, o COI analisou o pedido do Comitê Organizador da Olimpíada de Tóquio e definiu que, em 2020, skate, surfe, escalada, beisebol e caratê serão disputados nos Jogos. O tamanho da audiência e a popularidade entre os jovens são outros fatores para se tornar um esporte olímpico. O cheerleading ainda não chegou lá.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/17/O-que-faz-do-cheerleading-um-esporte-quase-ol%C3%ADmpico

© 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.
Expresso O que faz do cheerleading um esporte quase olímpico Matheus Moreira 17 Jan 2017 (atualizado 17/Jan 18h50) Animadoras de torcida agora são reconhecidas pelo Comitê Olímpico Internacional. E podem, no futuro, até entrar para os Jogos Foto: Nottingham Trent University /Flickr/Creative Commons Cinco cheerleaders são levantadas por outras e fazem pose durante apresentação. O esporte reúne ginástica, dança e acrobacias em uma composição coreográfica de duração média de três minutos O cheerleading — nome em inglês para a prática de animar torcida — deu um passo na direção de se tornar um esporte olímpico. O conselho executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) reconheceu em dezembro de 2016 a Federação Internacional de Cheerleading. Desta forma, a prática passará a ser incentivada pela Associação de Federações Internacionais — e, na prática, será promovida internacionalmente. O reconhecimento pelo comitê é também um passo necessário para a oficialização da categoria como esporte olímpico. As primeiras menções a torcidas “cheer” surgiu no Reino Unido, no século 19. Entretanto, a primeira referência da prática do esporte aponta que foi em 1822 que estudantes — homens — da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, torceram pela primeira vez neste formato. O cheerleading vai além dos gritos de guerra e pompons. Ele requer um intenso preparo físico e muito treinamento, é o que explica Ana Paula Pereira de Amorin, de Belo Horizonte, que integra a União Brasileira de Cheerleaders, em entrevista para o Nexo. Os elementos do cheerleading Ginástica Segundo Ana Paula Pereira de Amorin, o cheerleading é 50% rotina coreográfica, ou seja, metade do esforço é destinado à ginástica rítmica. Os atletas (cheerleaders) fazem um grande esforço físico a cada coreografia e apresentação. Para a “Vice Sports”, a jornalista Charlie Brinkhurst-Cuff, que foi cheerleader, explicou que o esporte é muito mais difícil do que aparenta e que são necessárias “horas intensas de prática para uma composição de três minutos”. Acrobacias O esporte tem manobras com um alto grau de dificuldade, que requerem treino e preparo físico. Brinkhurst-Cuff aponta que, devido às acrobacias e à ginástica, muitas cheerleaders sofrem com fraturas e algumas chegam a perder movimentos. Ela cita um estudo, publicado em 2013, que coloca o cheerleading no primeiro lugar como esporte mais perigoso para mulheres nos Estados Unidos. Segundo o estudo, 66% dos casos de ferimentos graves (que causam danos permanentes, como a paralisia, ou levam a tratamentos prolongados) durante a prática de qualquer esporte por mulheres nos EUA acontecem no cheerleading. Uma das razões para isso é que o esporte utiliza técnicas próprias na formação de “pirâmides”, segundo Amorin. Dança Além da ginástica e das acrobacias, cheerleading envolve dança. Em três minutos de apresentação, em média, o esporte incorpora elementos rítmicos entre as acrobacias. A dança é um facilitador para a atuação das atletas, auxiliando na flexibilidade e controle corporal. Amorin ressalta que, muitas vezes, o esporte é confundido com uma modalidade de dança — quando, na verdade, a dança aparece em cerca de “20% da coreografia, normalmente no final, em rotina competitiva”. Novos esportes olímpicos Com a decisão do COI, o cheerleading e o muay thai — cuja organização também foi validada — se tornam as 37ª e 38ª modalidades reconhecidas internacionalmente. Isso não significa que elas serão disputadas nos Jogos Olímpicos, mas que estão mais próximas disso, já que esse reconhecimento é necessário para as Olimpíadas. Hoje há 33 modalidades nas Olimpíadas. Para que um esporte seja incluído nos Jogos, ele deve ser praticado por homens em pelo menos 75 países, em quatro continentes, e por mulheres em 40 países, em três continentes. O cheerleading já atende a algums dos critérios necessários, mas ainda precisa passar por outras etapas antes de virar um esporte olímpico. Um dos caminhos é o país-sede dos Jogos pedir a inclusão de novas modalidades. Em agosto de 2016, o COI analisou o pedido do Comitê Organizador da Olimpíada de Tóquio e definiu que, em 2020, skate, surfe, escalada, beisebol e caratê serão disputados nos Jogos. O tamanho da audiência e a popularidade entre os jovens são outros fatores para se tornar um esporte olímpico. O cheerleading ainda não chegou lá.

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