sábado, 21 de abril de 2018

NOSSO SITE TRAZ O NOVO ESPORTE BRASILEIRO: CHEERLEADING

Cheerleading, um novo capítulo na história do esporte no Brasil

O número de equipes da nova modalidade esportiva é crescente, mas as dificuldades são inerentes à falta de regulamentação e estrutura.
Já está reconhecido pelo COI, como 36a. modalidade olimpica.
Heloir C. Schwaickardt
Team Brazil durante apresentação no Mundial de 2017. Foto: Divulgação 
Team Brazil de Cheerleading durante apresentação no Mundial de 2017. Foto: Divulgação
       “Ah é dança. É dança com sainha e pompons. Legal é quando sobem uns em cima dos outros!”. A falta de informação sobre algo novo geralmente cria estigmas e preconceitos, e com o Cheerleading não é diferente. Será que é dança mesmo? A rotina de preparo físico de um Cheerleader é composta por treinos semanais de musculação, exercícios de movimentos de equipe, chamados de Stunt – em que 4 ou 5 pessoas fazem manobras de elevação da flyer, a garota que vai às alturas. Ainda têm os treinos de ginástica e, às vezes treino na modalidade de competição individual, Best Cheer (O melhor Cheerleader). Não acaba por aí: os atletas também realizam exercícios de força, sincronia e  movimentos de todos os Stunts juntos para a construção de uma rotina de apresentação para competição e animação de torcida.
Quem vê uma apresentação de Cheerleading costuma ficar impressionado, mas por trás dos belos movimentos de força e sincronia, as equipes costumam enfrentar além do esforço que é manter práticas de exercícios diários, alongamentos e cuidado com a alimentação,  dificuldades  com a conciliação de horários, encontrar um coach/treinador qualificado, encontrar um ginásio ou gramado para o treinamento, além de terem que desenvolver iniciativas para captação de custos, pois o apoio de patrocinadores é raro até em outros esportes mais populares.

       Existe a distinção entre equipes escolares, universitárias e All Star, pois são as categorias que dividem as equipes nas competições. Nas equipes escolares e universitárias os estudantes devem conciliar o esporte e os estudos, o que torna ainda mais complicado. Mas nem todos os cheerleaders têm essa rotina de conciliação com os estudos, pois são de equipes Allstar, formadas por pessoas que não estão ligadas a uma universidade ou escola e, por isso, mantém a atividade como parte de sua vida como esporte ou hobby. Em uma equipe All Star a cobrança pela dedicação e pelo compromisso é mais rigorosa e, por isso, o resultado costuma ser de alto nível, de acordo com Fábio Camargo, arquiteto e cheerleader da equipe Spirit of Titans de São Paulo.
Fábio Camargo durante movimento do Cheerleading, Toe Touch. Foto: Acervo Pessoal
Fábio Camargo durante movimento do Cheerleading, Toe Touch. Foto: Acervo Pessoal
                Fábio é um bom exemplo de como o esporte está no Brasil, as dificuldades de prática, mas também como tem potencial para melhorar. Por meio de investimentos próprios, ele é Cheerleader desde 2010 e já chegou a disputar o Campeonato Mundial Mundial nos anos de 2016 e 2017 com a equipe brasileira – Team Brazil de Cheerleading. “Participar do Mundial foi um sonho realizado, sempre quis! A preparação foi bem difícil, pois os treinos foram no Rio de Janeiro, e não tem nenhum patrocínio. É complicado, por que você tem que arcar com tudo”, explica.  Ele conta que somando as despesas dos treinos, da viagens e tudo mais, chegou a gastar cerca de 8 mil reais em cada processo de preparação e para ir aos mundiais. “Mas no final tudo vale a pena. Sinceramente, o Mundial foi o auge da minha vida!”, relata o jovem de 25 anos.
                Stuns, tumblings, jumps, pirâmides, dance, motions, toe touch e muitos outros são os termos que denominam os elementos utilizados pelos cheerleaders. Os Stunts e as pirâmides são o deleite de todos. Quando são formadas as pirâmides humanas, cheers, uns em cima dos outros, é exaltação na certa! Existe muita técnica envolvida e repetições para conseguir realizar algo assim, além, é claro, das quedas e dos machucados. Os Tumblings são as piruetas, mortais e acrobacias dignas da ginástica artística. Os jumps são os saltos em formação e em sincronia, com braços e pernas precisamente posicionados de acordo com os direcionamentos dos motions (Corpo em forma de X, ou T, ou K, ou V, etc). O dance compõem a transição entre movimentos durante uma apresentação com passos de dança. Ademais, são muitos os movimentos que fazem parte das práticas e do vocabulário do Cheerleading, um universo de atividades físicas em que dá até para aprender um pouco de inglês como se pode ver.
Participação do Brasil no Mundial deste ano
                  A propósito, o Cheerleading é um esporte e sua origem data de 1869, nos Estados Unidos, quando homens animavam as equipes e as torcidas universitárias durante os jogos de futebol americano, basquete e Rugby, segundo a International Cheer Union-ICU, atual instituição que regulamenta o Cheerleading e promove o Campeonato Mundial de equipes. Até 1948, o Cheerleading era uma tímida atividade recreativa presente em algumas escolas e universidades norte-americanas, foi a partir da metade do século passado que ele incorporou novas técnicas, as acrobacias, passou a ter transmissões de campeonatos pela televisão, começou a ser praticado em outros países e foram criadas organizações como a Universal Cheerleaders Association-UCA, entidade que promovia o Cheerleading nos EUA para regulamentá-lo em âmbito mundial.
O Cheerleading chega à América do Sul pelo Chile, em 1994, quando os entusiastas Rodrigo Anguita e Irma Olvares Cea, solicitaram à UCA para que ajudassem a introduzir a atividade no país. De lá pra cá, a organização “Cheer Chile”, em parceria com a  UCA, treinou milhares de cheerleaders em todo o país, e o esporte começou a se espalhar por todo o continente. No Brasil, existem registros de que a prática começou a engatinhar a partir de 2008, conduzida Comissão Paulista de Cheerleading.
Um marco importante na história do esporte foi a participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, realizados em Atlanta, Geórgia, EUA. Outro fato relevantena divulgação do Cheerleading foi a série de filmes  “Bring It On” – renomeada como As apimentadas (2000) no Brasil, parece brincadeira, mas é por meio filmes e séries estrangeiras com temática sobre o Cheerleading que muitas pessoas tomam conhecimento do esporte. O fascínio pelas possibilidades de execução da prática, que envolve ginástica e dança, podem parecer efeitos especiais, mas são de verdade. Seguindo pela história do esporte, em maio de 2013, o SportAccord admitiu a International Cheer Union-ICU como seu 109º membro e assim a ICU tornou-se oficialmente o órgão mundial responsável pelo Cheerleading em todo o mundo. Sendo que desde 2004, ocorre o Campeonato Mundial de Cheerleading ou “Cheerleading Worlds”, no Walt Disney World Resort. Em 2017, foi realizada a 14º edição com nações de todos os continentes e o Brasil ficou em 12º na categoria de Coed Elite (Equipe de alto nível, adulta com homens e mulheres). Nada mal para um país onde esse esporte não é tradição.
            No ano passado, o Comitê Olímpico Internacional passou a reconhecer o Cheerleading como esporte oficial. Mas infelizmente não vai ser na próxima olimpíada que você vai ver cheerleaders no programa competitivo, pois o processo para virar modalidade olímpica demora alguns anos. Como mostra o PlayGroundBR, “as acrobatas do impossível deixarão de ser consideradas uma animação recreativa para voar mais alto que o santuário de Zeus”.
No Brasil, o crescimento do Cheerleading passa por uma fase de disseminação considerável e já existem mais de 100 equipes e diversos torneios e campeonatos anuais. No entanto, ainda não há uma entidade oficial que regulamente e fiscalize o esporte, que seja reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro-COB ou pelo Conselho Nacional do Esporte, prejudicando o desenvolvimento das atividades. No entanto, algumas organizações independentes tomam a frente de organizar os eventos, desenvolver,  auxiliar e contribuir com a equipes, desde orientações iniciais quanto formação de coaches/treinadores.
                De acordo com Rodrigo Gonçalves da Silva, presidente da União Brasileira de Cheerleading, entidade que é filiada junto a International Cheer Union –ICU, pioneira na promoção do esporte em âmbito nacional (Desde 2009), “atualmente funciona como uma associação desportiva que não tem um contato formal junto aos órgãos federais, mas que busca o reconhecimento por meio dos padrões legislativos para poder ser reconhecida como a responsável pelo esporte no país”. Advinda de uma comissão criada para divulgar o Cheerleading no estado de São Paulo em 2007, tornou-se centro nacional de respaldo sobre o esporte porque não havia ninguém que tratasse sobre. Após uma pesquisa sobre o Cheerleading no território nacional, quando órgãos administrativos norte americanos e alguns sul americanos, na Colômbia e no Equador foram consultados e, posterior contato com a  ICU, verificou-se que não havia nenhuma entidade responsável pelo esporte no Brasil.
Praticar esportes regulamentados ou com o mínimo tradição é complicado no Brasil, falta estrutura, falta patrocínio, falta incentivo, muito diferente do que acontece em outros países como nos EUA, onde até o esporte universitário é supervalorizado. Imagine então, para um esporte que está no início como o Cheerleading, cuja estrutura ainda é precária, falta regulamentação e orientação oficial. De acordo com Cedrick Willian da Silva, coach e treinador formado pela UBC, com anos de experiência com dança, ginástica e  Cheerleading, “a organização e o reconhecimento do esporte poderia melhorar a acessibilidade, dar incentivo para criação de novas equipes, promover suas atividades e oficializar o título do campeonato nacional”. Ele ainda aponta para o detalhe interessante de que “o Cheerleading é um dos únicos esportes em que homens e mulheres podem competir juntos, fazendo parte de uma mesma equipe e, isso é maravilhoso!”.
                O esporte não exige muitos equipamentos, mas envolve risco e precisa de um mínimo de estrutura, na melhor das hipóteses um solo de ginástica ou tatame de artes marciais, para caso ocorra alguma queda, não tenha machucados graves. Atualmente quem pratica, se arruma do jeito que dá, poucos são as equipes que têm um espaço específico de treino. Não dá para ficar sem treinador, só que este é difícil de encontrar, pois ainda são poucos
O Cheerleading pode ser considerado instrumento de inclusão social por meio da prática coletiva de esporte, pois as pessoas desenvolvem trabalho e espírito de equipe, assim como em outros esportes coletivos. Mas dedicação e responsabilidade são indispensáveis, deve-se pagar as mensalidades que não é um valor alto, mas o uniforme é caro, e uma política de popularização de produção e consumo de artigos de cheerleaders poderia colaborar para melhorar a situação e certificar uma melhor qualidade dos produtos.
                Ajudar a equipe quando necessário e criar uma agenda para respeitar os horários de treinos e o seu corpo. O Cheer incentiva e anima as torcidas para o engajamento de outros esportes. Exercita músculos e o modo de relacionamento das pessoas. Caminha em duas vias, o próprio desenvolvimento como esporte e a animação de torcida que faz parte das competições, por vezes até decisiva. Ótima oportunidade para engajar grupos, criar espírito de equipe, habilidades e saúde que um esporte pode promover.
É um novo esporte, que encanta pela prática e pelo desempenho físico. Para uma apresentação que costuma durar dois minutos, no máximo três, são meses de muito preparo e treinamento, o momento é de muita emoção e explosão. Para o atleta, tudo faz sentido quando se consegue realizar os movimentos e sentir o retorno de excitação do público. Enquanto espectadores e torcida, podemos sentir emoção que faz arrepiar e não vemos a hora para a próxima apresentação.
Esporte Feminino? E para onde vai?
              Apesar do esporte ter nascido como uma prática masculina, hoje são as mulheres que estão à frente. Segundo a ICU, atualmente as mulheres compõem mais de 90% dos cheerleaders no mundo. Elas sempre tiveram presença, mesmo que menor, nas equipes das décadas de 30 e 40, no entanto foi durante o período da segunda Guerra Mundial, quando os estudantes universitários foram convocados para servir, que a presença feminina passou a ser majoritária e segue até hoje esta propensão, sendo também reforçada pelo machismo que estigmatiza a ideia de que o esporte é feito somente por e para mulheres, afastando a aptidão por novos atletas rapazes. Ambos são importantes para uma equipe de modo gerale a diferença pode ser observada durante as apresentações como o Campeonato Mundial, em que tanto as mulheres quanto os homens têm funções específicas e devem desempenhar com excelência.
             Sobre esta perspectiva, Rodrigo Gonçalves aponta que existe um preconceito sobre o esporte, uma ignorância vencível, por aqueles que não tem noção do que seja. “Eu converso com diversas pessoas por e-mail, vídeos conferências, telefônicas e outras formas de comunicação e a maioria não tem noção do que seja o Cheerleading. Estas pessoas não sabem que é um esporte, que há campeonatos mundiais. Não tem ideia de que há um Campeonato Nacional desde 2011”, relatou em entrevista. “Tenho a certeza absoluta que o Cheerleading será um dos esportes mais praticados no Brasil num prazo de 15 a 20 anos”, finaliza, otimista, o presidente da UBC.
O treinador Cedrick Willian adverte que esta situação envolve machismo, pois por ignorância relacionam o Cheerleading com a dança e dança com pompom, logo coisa de menina, um preconceito. “Podemos observar que em equipes profissionais de níveis avançados, a maioria dos times é composto por mais homens porque os exercícios são muito difíceis, não que as mulheres não consigam fazer, mas é mais difícil de alcançar porque precisa de muita força muscular, e por isso é naturalmente mais difícil para as mulheres fazerem”, explica. Então observa-se a presença de mais homens fortes, que são as bases e, meninas mais baixas, magras e fortes que são as flyers. O cheer é um esporte masculino e feminino, é misto, e é um dos poucos que abre esta possibilidade de prática conjunta.
               Fábio Camargo também acredita que é preciso avançar. “Por aqui as coisas são muito difíceis, nossa senhora! Mas tenho boas esperanças de que melhorem e de que o esporte vai crescer muito ainda no Brasil, basta a UBC se aprimorar e dar a devida organização que merecemos”. E sobre o preconceito de homens no esporte ele diz que “esse estigma de que somente meninas são cheerleaders, é besteira! Salvo respaldo de que o Cheerleading foi criado por homens e quem pratica sabe a diferença que faz uma base masculina”.

 
NOTA DO EDITOR - Recebemos uma mensagem da professora CARMEM , presidente do CREFRS  e fomos fazer algumas buscas e estamos trazendo, um pouco do seu histório. A respeito de ser um esporte olímpico, apesar da sua plástica, que enche os olhos, não é bem assim, pois tem a exigência da CARTA OLIMPICA - se bem que hoje tem outros interesses. Aguardemos. Mas que é lindo o é. ( CLERY - EDITOR )

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