quarta-feira, 31 de outubro de 2018

JOÃO AREIAS OPINA SOBRE O FUTURO DO ESPORTE DO BRASIL




 

Ministério dos Esportes; ter ou não ter




O novo governo Bolsonaro já se pronunciou sobre a possibilidade de extinguir o Ministério dos Esportes e passar algumas de suas funções para uma secretaria de esportes ligada ao Ministério da Educação.
Há 30 anos trabalhando na indústria esportiva, não vi, no Ministério, uma entidade que tenha contribuído efetivamente para o desenvolvimento esportivo do Brasil. É só olhar para a maioria dos seus ministros e currículos, seu site, para verificar a falta de transparência e algo que realmente chame a atenção positiva do contribuinte.
Como disse, nestes 30 anos, creio que contribuí de alguma forma. Em 1987, fui o autor e comercializei, junto com Celso Grellet do São Paulo, o primeiro projeto esportivo patrocinado exclusivamente com recursos da iniciativa privada. A Copa União 87 (veja documentário) - campeonato brasileiro de futebol. Em 1995, eu e minha equipe da Sportlink, desenvolvemos e comercializamos o primeiro projeto do basquete, também patrocinado exclusivamente pela iniciativa privada - campeonatos brasileiros de basquete 1996 à 1999, sem um centavo do dinheiro do contribuinte. A Caixa patrocinava as seleções.
As 3 dimensões do esporte no Brasil: ALTO RENDIMENTO - EDUCACIONAL - SOCIAL
Isto me coloca numa posição confortável para afirmar que o esporte de alto rendimento (reúne atletas federados, clubes, federações e confederações) não necessita de dinheiro público para sobreviver. Não vejo razão mercadológica alguma para a CAIXA patrocinar vários clubes de futebol e o Banco do Brasil, o voleibol. Matéria da ESPN mostra as dúvidas sobre o patrocínio da Caixa : CGU: patrocínio da Caixa a clubes não tem a 'devida clareza e transparência'
O mesmo pode se dizer do Banco do Brasil com o voleibol - vejam esta matéria Após serem constatadas irregularidades de R$ 30 milhões na CBV, Banco do Brasil suspende patrocínio (detalhe, depois o patrocínio voltou, e um dos dirigentes do Banco do Brasil se evadiu para a Itália após decretada sua prisão - Pizzolato foge para a Itália e debocha das autoridades brasileiras)

Ao mesmo tempo, não são publicados nos sites da Caixa e do BB as justificativas dos investimentos e os respectivos retornos.

O mesmo pode-se dizer do patrocínio da Eletrobras ao basquete nacional via Confederação Brasileira de Basquete. Há fortes indícios de que não resistiria a uma mínima auditoria. Resultado - dirigentes amadores, que não recebem salários das confederações e ficam ricos com o dinheiro do contribuinte.
A lava jato precisa chegar ao esporte. Só assim sairemos da mediocridade para ser uma grande nação esportiva.
Espero que o novo governo incentive a mudança de modelo de gestão nas entidades esportivas de prática (clubes) e de direção (federações e confederações). Não é possível mais fazer refinanciamento de dívidas fiscais dos clubes, por exemplo, sem a contrapartida adequada, ou seja, mudança de modelo de gestão.
Sobre modelo de gestão tenho escrito em vários posts aqui neste blog. Resumindo, ele deve ser baseado na boa governança que implica em transparência e profissionalismo.
Já o esporte educacional é outro que carece do devido apoio. É só perguntar aos estudantes das atléticas das universidades, como eles organizam seus eventos esportivos. Organizam com dinheiro do próprio bolso, porque as verbas governamentais, que existem, simplesmente não chegam na base.
Finalmente o esporte de participação ou social. Este, no meu entender, deve ser conduzido pelas prefeituras através de secretarias de esporte. Levar o esporte às comunidades carentes, principalmente, ajudará no combate à violência. O esporte é um dos maiores antídotos contra o uso de drogas. Vilas olímpicas, escolas e clubes de bairros são os espaços que restaram. Vamos usá-los!
João Henrique Areias
- Cria e leciona cursos online na plataforma UDEMY
- Ex vice presidente de marketing, esportes olímpicos do Flamengo
- Ex diretor de marketing do Clube dos 13
- Ex executivo da IBM Brasil

NOTA DO EDITOR - Concordo com JH AREIAS e pelo anuncio de fusões, o MINISTÉRIO DO ESPORTE deve ir para a EDUCAÇÃO e CULTURA.Também nesse site tem a crônica do MURRAY que faz menção a mesma situação.


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